É indiscutível a necessidade
de zelar pela própria saúde, e a cada momento
a preocupação torna-se uma alternativa de preservação
da vida, diante das inúmeros moléstias infecciosas
em circulação no mundo. Preocupados com isto,
os profissionais da área odontológica têm
trabalhado no sentido de conscientizar não só os
dentistas, mas também os usuários dos serviços
de odontologia, da importância de freqüentar ambientes
onde a biossegurança - caracterizada por um conjunto
de normas e procedimentos considerados seguros e adequados à manutenção
da saúde em atividades de risco - seja uma realidade.
O assunto ocupa todas as classes médicas e serviços
de saúde de qualidade, e é hoje uma preocupação
mundial. De acordo com a biomédica paulista Lusiane
Camilo Borges, consultora em biossegurança, microbiologista
e cirurgiã-dentista, é preciso estar atento
ao alto risco de contaminação a que estão
expostos profissionais de todas as áreas. “Não
se pode fechar os olhos para as hepatites viróticas,
especialmente as dos tipos B e C”, diz ela em um artigo
científico publicado pela Revista da APCD de São
Bernardo do Campo, São Paulo.
O serviço é, inclusive, disponibilizado gratuitamente
para as APCDs do Interior, através de workshop para os dentistas
locais, com patrocínio de empresas como a 3M, Sismed, Anthos
e Fórmula em Ação. “Precisamos multiplicar
essa idéia de controle de infecção e biossegurança
na clínica odontológica e as APCDs são o melhor
caminho “, reforça Lusiane. A especialista afirma que
no mundo já foram notificados 170 milhões de infectados
pelo vírus da hepatite C e meio bilhão pelo vírus
da hepatite B, sendo que 350 milhões são portadores crônicos.
No Brasil, 4 milhões de pessoas são portadoras da Hepatite
tipo C, considerada a doença do terceiro milênio, cuja
vacina até agora não se descobriu, em função
da complexidade imunológica. Somam-se a estes números
os casos de contaminações por HIV, uma realidade desde
a década de 80, época em que os cirurgiões-dentistas
começaram a refletir mais sobre os riscos de contaminação
em serviço. Mas a preocupação, hoje, não
se restringe apenas aos profissionais. Os próprios pacientes
já pré-selecionam os consultórios e serviços
médicos a partir das condições de higiene e limpeza.
A analista de sistemas Luíza Andrade Marinho, 32 anos, explica
que não daria continuidade a um tratamento odontológico
se não estivesse completamente ciente da qualidade e da aplicabilidade
dos cuidados básicos para evitar a contaminação
por meio de equipamentos ou mesmo do próprio profissional. “Imagina
se vou deixar o dentista colocar um aparelho daqueles na minha boca
sem antes ser esterilizado. Morro de medo de doenças, por isso,
mesmo ao falar comigo, o dentista já tem de estar de máscara
e luvas, do contrário, peço licença e não
volto”, afirma. Segundo Lusiane Borges, que é diretora
científica da APCD de Santo Amaro, a atividade do cirurgião-dentista
expõe seus pacientes, sua equipe, ele próprio e seus
familiares a um universo microbiano altamente agressivo. Apesar de
expor essas pessoas a sérios riscos de contágio de doenças
graves, grande parte dos profissionais ainda mostra-se resistente à adoção
de medidas de controle de infecção.
Para o cirurgião-dentista Sílvio Henrique Hueb da Silva,
presidente da Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas
de Rio Preto, o profissional que se opõe às normas de
segurança não é digno da profissão que
exerce. “Não se pode mais trabalhar sem seguir estas normas”,
afirma. Gorros, luvas, máscaras, lixo hospitalar, torneiras
com pedaleira, entre outros itens, são usados rotineiramente
na sede da APCD, onde o reforço da importância destes
acessórios como indispensáveis à segurança
do paciente é feito diariamente. Além disso, Sílvio
Hueb conta que estão em plena campanha junto à Prefeitura
para conseguir que o recolhimento do lixo hospitalar seja feito de
maneira diferenciada. Segundo ele, a Vigilância Sanitária é o órgão
responsável pela fiscalização de clínicas
e consultórios, a fim de constatar a eficiente utilização
dos equipamentos de segurança.
Cuidados no consultório:
>> Luvas de borracha
>> Máscara de proteção bucal e nasal
>> Torneiras com pedaleira
>> Lixeiras apropriadas para separar o lixo hospitalar do comum
>> Autoclaves para esterilização de materiais
>> Produtos descartáveis
>> Asseio e higiene no ambiente como um todo
Pesquisa aponta desconhecimento das medidas:
A consultora em biossegurança, Lusiane Camilo Borges, afirma
que recentemente foi realizada uma extensa pesquisa sobre o grau de
conhecimento e aplicação da biossegurança pelo
cirurgião-dentista. Os resultados apresentados preocupam, já que
a grande maioria mostrou desconhecimento sobre a abrangência
de medidas de controle dos riscos biológicos a que são
submetidos diariamente. Em países desenvolvidos, o cirurgião-dentista é tão
respeitado quanto o médico. Ele é considerado o “médico
da boca”, assim como o pediatra é o médico da criança
e o cardiologista do coração. Ele segue sua carreira
sempre se especializando e desenvolvendo técnicas para prestar
serviços cada vez melhor. Porém, nunca deve se esquecer
da saúde de seu paciente como um todo, dos riscos de contaminação
e infecção aos quais o mesmo pode estar submetido. A
verdade é que o trabalho é uma via de mão dupla
e, se médico e paciente fizerem seu papel, não haverá razões
para maiores preocupações.
Segundo Lusiane Borges, está comprovado que o paciente atendido
em condições de proteção biológica,
conscientizado pelo profissional dos riscos de contaminação
e infecção, jamais se submeterá a um atendimento
diferente. Ele, inclusive, se tornará um paciente fiel, que
trará outros para o consultório. O empresário
Edivaldo dos Santos Amancio, 34 anos, conta que há muitos anos
trata com o mesmo dentista e cada vez que viaja e precisa procurar
outro profissional sente dificuldades de adaptação. “Procuro
estar sempre em dia com o meu tratamento para não ter de enfrentar
qualquer dificuldade fora da minha cidade. Acostumei com o meu dentista
e nunca me passa pela cabeça procurar outro, pois as condições
de limpeza e a preocupação em utilizar material esterilizado é algo
impressionante”, diz. A biomédica Lusiane Borges, que
mantém o site
www.biossegurancaodonto.com.br afirma que a biossegurança é um
caminho sem volta e depende de uma mudança de atitude profissional
que beneficia a todos: paciente, equipe odontológica e principalmente
o cirurgião-dentista, que além de se proteger biologicamente
dá um diferencial à sua clínica.
Serviço:
Silvio Henrique Hueb da Silva, cirurgião-dentista e presidente
da APCD Rio Preto, (17) 233-6835
APCD Rio Preto, (17) 227-2665
Lusiane Camilo Borges, cirurgiã-dentista e diretora científica
da APCD Santo Amaro, fone email:
selobiologica@uol.com.br