BIOSSEGURANÇA

PRESERVAÇÃO DA SAÚDE É FERRAMENTA DE
MARKETING NA ODONTOLOGIA ATUAL

É indiscutível a necessidade de zelar pela própria saúde, e a cada momento a preocupação torna-se uma alternativa de preservação da vida, diante das inúmeras moléstias infecciosas em circulação no mundo.

Preocupados com isso, os órgãos mundiais de saúde têm trabalhado no sentido de conscientizar não só os cirurgiões-dentistas, mas também os usuários dos serviços de odontologia, da importância de freqüentar ambientes onde a Biossegurança - caracterizada por um conjunto de normas e procedimentos considerados seguros e adequados à manutenção da saúde em atividades de risco - seja uma realidade.

O assunto ocupa a área da saúde como um todo, especialmente ambientes cirúrgicos e consultórios odontológicos, grandes disseminadores de doenças.

Biossegurança em ambientes clínicos é hoje uma preocupação mundial. É preciso estar ciente do alto risco de contaminação a que estão expostos os profissionais da área odontológica. Não se pode fechar os olhos para as hepatites viróticas, especialmente as dos tipos B e C.

A hepatite C é considerada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) a DOENÇA DO TERCEIRO MILÊNIO, um problema de saúde pública mundial. É uma doença subclínica (90% dos infectados a desconhece), o tratamento é sintomático; não existe vacina até o momento, tamanha sua complexidade imunológica; é carcinogênica em 20% dos casos e de fácil transmissão.

Em todo o mundo já foram notificados 180 milhões de infectados pelo vírus da hepatite C e meio bilhão pelo vírus da hepatite B, sendo que 350 milhões são portadores crônicos. No Brasil, 5 milhões de pessoas são portadoras da hepatite C. Somam-se a estes números os casos de contaminação por HIV, uma realidade desde a década de 80, época em que os cirurgiões-dentistas começaram a refletir mais sobre os riscos de contaminação em serviço.

Foram comprovados recentemente achados de HPV, vírus do herpes labial e até vírus do herpes genital na cuspideira, local altamente contaminado do consultório odontológico.

Mas a preocupação, hoje, não se restringe apenas aos profissionais. Os próprios pacientes já pré-selecionam os consultórios e serviços odontológicos a partir das condições de higiene e limpeza.

A atividade do cirurgião-dentista expõe seus pacien-tes, sua equipe, ele próprio e seus familiares a um universo microbiano altamente agressivo. Apesar dos sérios riscos de contágio de doenças graves, grande parte dos profissionais ainda se mostra resistente à adoção de medidas de controle de infecção.

Recentemente foi realizada uma extensa pesquisa sobre o grau de conhecimento e aplicação da Biossegurança pelo cirurgião-dentista. Os resultados apresentados preocupam, já que a grande maioria mostrou desconhecimento sobre a abrangência de medidas de controle dos riscos biológicos a que são submetidos diariamente. Uma pequena porcentagem dos profissionais aplica um protocolo razoável de controle de infecção que visa minimizar a infecção cruzada - fenômeno comum em todos os atendimentos clínicos.

A utilização de gorros, luvas, máscaras, aventais, torneiras com pedaleira e cuidados com o aerosol, entre outros itens, são requisitos básicos e indispensáveis à segurança da equipe odontológica e do paciente. A eficiente esterilização e acondicionamento do instrumental, bem como o recolhimento do lixo contaminado de maneira diferenciada são também imprescindíveis para a proteção biológica do paciente e equipe.

Medidas simples podem minimizar substancialmente a infecção cruzada na clínica odontológica. Somente no ato sistemático de lavar as mãos, pode-se reduzir em até 80% os riscos de infecção cruzada. Outra medida eficiente, porém desconhecida pela maioria dos profissionais, é a utilização do bochecho prévio aos atendimentos clínicos. Esse procedimento, quando à base de clorexidina, pode eliminar até 98% dos microorganismos dispersos no aerossol na primeira hora de atendimen-to.

Em países desenvolvidos, o cirurgião-dentista é tão respeitado quanto o médico. Ele é considerado o "médico da boca", assim como o pediatra é o médico da criança e o cardiologista do coração.

Ele segue sua carreira se especializando e desenvolvendo técnicas para prestar serviços cada vez melhores. Porém, não se esquece da saúde de seu paciente como um todo, dos riscos de contaminação e infecção aos quais o mesmo pode estar submetido.

O cirurgião-dentista brasileiro está entre os melhores do mundo em nível estético e funcional, mas quando se trata de Biossegurança, está entre os países mais atrasados do mundo. É um grande contrasenso.

Está comprovado que o paciente atendido em adequadas condições de proteção biológica, conscientizado pelo profissional dos riscos de contaminação e infecção, jamais se submeterá a um atendimento diferente. Ele, inclusive, se tornará um paciente fiel, que trará outros para o consultório.

Revista Odontis - Edição Out-Nov /2003

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