BIOSSEGURANÇA:
PARA EVITAR A CONTAMINAÇÃO NOS CONSULTÓRIOS ODONTOLÓGICOS

MaxPress.Net - 28/01/04

Cerca de 25% dos pacientes atendidos têm algum tipo de doença infecto-contagiosa de menor ou maior grau, motivo pelo qual a Biossegurança é hoje uma preocupação dos profissionais da área

A maior fonte de contaminação do consultório odontológico está no instrumental esterilizado inadequadamente. Outros locais onde há grande risco de contaminação são: a cuspideira e a caixa de revelação (local onde são acondicionados os filmes de raios X). Estes necessitam de constante limpeza e desinfecção, bem como o correto manuseio das películas de filmes. Estas são as principais razões para as pessoas se conscientizarem e se preocuparem quando forem ao dentista.

"O processo de contaminação da caixa de revelação é dado por desconhecimento dos riscos de infecção cruzada, que é a transferência de microorganismos através de instrumentos e/ou objetos contaminados de pessoa a pessoa (paciente-profissional). Também ocorre por meio dos chamados vetores de contaminação (ou fômites), com um instrumento cirúrgico contaminado e esterilizado inadequadamente, que pode transferir tal contaminação de paciente para paciente ou de paciente para o próprio dentista", explica Lusiane Camilo Borges, biomédica pela UNISA e UNIFESP-EPM, especialista em Microbiologia pela Universidade Oswaldo Cruz, cirurgiã-dentista pela UMESP e mestranda em Microcirurgia Experimental pela UNIFESP-EPM.

Aliás, um simples e aparentemente inofensivo filme de radiografia dental pode ser o responsável pela infecção cruzada. "No momento da tomada radiográfica, o filme deve estar envolvido por uma barreira para sua posterior retirada, antes da sua revelação. Desta forma, todos os microorganismos da boca do paciente não entram na caixa e mantém a cadeia asséptica funcionante", conta.

Lusiane esclarece que existem muitos riscos de contaminação no atendimento odontológico. Os principais giram em torno das Hepatites B e C. "Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), meio bilhão de indivíduos em todo o mundo já foram notificados como infectados pelo vírus da Hepatite B (dos quais 350 milhões são portadores crônicos), e cerca de 180 milhões pela Hepatite C." De acordo com ela, tanto o profissional quanto o paciente podem ser imunizados contra a Hepatite B, mas o problema é a Hepatite C. "Considerada pela OMS como Doença do Terceiro Milênio, não há vacina até o momento: é uma doença sub-clínica, ou seja, pode ser ''mascarada'' por vários anos, é carcinogênica (pode promover tumores) e é de difícil convivência e de tratamento caro", diz a especialista. No Brasil, há aproximadamente 4,5 milhões de casos notificados de Hepatite C e 90% dos indivíduos infectados desconhecem o fato.

Embora bem pouco representativos e de pequeno número de registros de prevalência no Brasil, existem casos de contágio até mesmo pelo HIV - o temível vírus de Aids. Mas, maior que esse é o risco de ocorrer contaminação pelos vírus da gripe, Herpes Simples e Genital e HPV, entre outros. "Devemos nos atentar também para a questão da Tuberculose Multirresistente, outra preocupação da OMS", adverte Lusiane. Mas os tais vetores de contaminação que são muitas vezes objetos banais nos consultórios odontológicos, como canetas, lápis ou telefone, podem transmitir doenças. "É por isso que eles sempre devem estar protegidos por barreiras, como películas de PVC e sempre com a devida desinfecção. O ar condicionado - outro vilão da contaminação - deve ser limpo e seu filtro trocado sistematicamente. A equipe auxiliar (THD e/ou ACD), tem papel imprescindível para que a Biossegurança seja realizada com sucesso na clínica odontológica", conta.

Os cuidados tomados pela equipe de trabalho são essenciais para a preservação da integridade da saúde de todos - da própria equipe e dos pacientes. Um desses cuidados é a vacinação da equipe de trabalho. Lusiane diz que a vacinação deve ser feita em toda a equipe odontológica. Existe uma lista de vacinas determinadas pela Anvisa (Agência da Vigilância Sanitária) que deve ser cumprida rigorosamente.

Segundo ela, outro cuidado necessário é o uso dos EPIs (Equipamentos de Proteção Individual). "Os EPIs são de suma importância para o atendimento biosseguro. Neles estão incluídos itens indispensáveis: gorro, máscara, óculos de proteção, luvas e avental", conta a

cirurgião-dentista. Ela diz ainda que o Protocolo de Biossegurança deve ser executado com a "consciência generalizada, pois é um trabalho que depende de toda a equipe e beneficia todas as pessoas".

Lançamento do Selo "Biológica - Qualidade em Biossegurança"

A dra. Lusiane, que também é coordenadora do Projeto de Biossegurança em Odontologia - que conta com o apoio da Kodak - estará lançando o selo Biológica - Qualidade em Biossegurança, cujo papel é atestar as condições biosseguras ao consultório do dentista. O selo conferirá ao estabelecimento respeito e seriedade no tratamento odontológico. Seu lançamento será durante o 22º CIOSP (Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo) e na 7ª Feira Internacional de Odontologia de São Paulo, que vão de 25 a 29 de janeiro, no Pavilhão das Exposições do Anhembi, em São Paulo.

Durante todo o evento, a cirurgião-dentista estará no estande da Divisão de Imagens para a Saúde da Kodak para ministrar o workshop "Biossegurança e Marketing na Odontologia", que acontecerá das 13 às 14 horas e das 17 às 18 horas. A Kodak, que é líder mundial no segmento de filmes radiográficos dentais análogos e de químicos para processamento, estará presente no 22º CIOSP com o filme Kodak ClinAsept, o único que conta com exclusiva embalagem com película protetora individual que minimiza o risco de contaminação cruzada nos exames intra-orais e no processamento em câmaras escuras, além de outros produtos.

"Hoje não é incomum o cirurgião-dentista ser questionado pelos pacientes sobre as normas de biossegurança, como a utilização de autoclave e barreiras físicas de proteção e até comparando os procedimentos atuais de tatuadores, manicures, cabeleireiros, esteticistas, entre outros" diz a dra. Lusiane. Segundo ela, o selo Biológica - Qualidade em Biossegurança resgata a promoção da saúde, que é o verdadeiro papel do cirurgião-dentista. "Na verdade, muitas vezes esse profissional - e seu consultório - atuam, sem saber, como vetores de contaminação, tornando-se disseminadores de doenças".

O Selo tem validade por tempo determinado e a devida reavaliação periódica. Mas muitos consultórios e instituições de ensino, como Escolas de Aperfeiçoamento Profissional e universidades já aderiram a ele. Outras informações sobre o selo podem ser adquiridas no site: www.biossegurancaodonto.com.br.

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