Selo atesta qualidade do atendimento odontológico

A iniciativa, lançada recentemente pela empresa Biológica, pode ajudar a diminuir os riscos de contaminação em consultórios dentários


Juliana de Paula

São Paulo - O consultório dentário como fonte de contaminação. Apesar de absurda, a constatação revela uma realidade mundial, em que um quarto dos pacientes que vão aos dentistas carregam consigo inúmeras doenças a serem transmitidas, inclusive aos próprios profissionais.

Esta estatística da Organização Mundial de Saúde (OMS) explica porque a proteção microbiológica é atualmente a questão mais importante da Biossegurança - conjunto de medidas que visa proteção do profissional e paciente nas atividades de risco - na odontologia. E o lançamento recente de um selo de qualidade que atesta estas ações em consultórios dentários poderá se transformar em uma nova esperança de garantia da segurança no atendimento odontológico livre de contaminações.

O Selo Qualidade em Biossegurança foi lançado oficialmente durante o 12º Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo (Ciosp), em janeiro, no estande da Divisão de Imagens para a Saúde da Kodak. A iniciativa é da empresa Biológica, especializada em biossegurança odontológica. A instituição também é a responsável pela criação, há cinco anos, do Projeto de Biossegurança em Odontologia, que leva, em formato de workshop, informações sobre contaminação por doenças infecto-contagiosas aos profissionais e sua equipe, e estudantes.

"A partir do nosso Projeto de Biossegurança, fomos muitas vezes solicitados a prestar consultoria em consultórios e adequar estes ambientes às condições de mínimo risco de transmissão de doenças infecto-contagiosas", explica a biomédica e cirurgiã dentista, Lusiane Camilo Borges, coordenadora do programa. "Consequentemente, a idéia do selo surgiu como uma maneira de atestar as condições biosseguras aos consultórios", complementa.

O selo tem validade semestral e ao contrário do Projeto de Biossegurança, não é um programa gratuito. Segundo a coordenadora, o custo do atestado vai depender das condições do consultório. "O selo é conseqüência de um trabalho de consultoria neste ambiente", diz Lusiane.

Entre os cuidados analisados nos consultórios para a concessão do selo estão a esterilização adequada do instrumental e de locais como a cuspideira e a caixa de revelação, além de toda área física. "O processo de contaminação da caixa de revelação acontece por causa da infecção cruzada, ou seja, a transferência de microorganismos por meio de instrumentos ou objetos contaminados de pessoa a pessoa", ressalta a coordenadora. Segundo ela, um simples filme de radiografia dental também pode ser o responsável pela infecção cruzada. Outros pontos observados são os lavatórios e o descarte de resíduos sólidos.

Para sua viabilização, o Selo Qualidade em Biossegurança contou com o apoio de empresas privadas como a 3M, Kodak, Fórmula e Ação Farmácia e Laboratório Daudt. "Nosso objetivo é ressaltar que muitas vezes, sem saber, o dentista atua em seu consultório como vetor de contaminação, tornando-se disseminador de doenças preocupantes como as Hepatites B e C, por exemplo", afirma Lusiane, que acredita que no futuro a Agência Nacional de Vigilância Sanitária possa comprar esta idéia.

Site Medicina S/A
19 de fevereiro de 2004

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